O texto que vamos ler a seguir foi ditado por D. Darsy à Denise, no dia 17 de junho de 1998.

O Caminho do Mestre Alikemur

Em uma de suas mais antigas encarnações, Mestre Alikemur nasceu em uma família aristocrática.
Teve, porém a infelicidade de se apaixonar pela noiva de seu irmão.
Este, ao descobrir essa paixão, revoltou-se, discutiu e lutou com o irmão, atingindo gravemente o rosto de Alikemur, causando uma cicatriz que se estendia dos olhos até a boca.
Em consequência dessa luta fratricida, Alikemur feriu mortalmente seu irmão.
Essa cicatriz no rosto ficou como um sinal desse triste episódio, que não se apagou com o tempo, pois acompanhou Alikemur no decurso de suas outras encarnações.
Várias pessoas com mediunidade de vidência, em materializações de Alikemur, tiveram condições de ver essa cicatriz.Isso foi testemunhado, inclusive, por um senhor Israelita, totalmente descrente, que desconhecia possuir qualquer tipo de mediunidade e achava essas coisas fantasiosas.
Tal fato marcou indelevelmente essa pessoa, da religião judaica, que, após essa vidência, passou a acreditar na religião espírita.
Depois do episódio doloroso em que matou o próprio irmão, Alikemur foge para Marrocos, mas não perde seu poder, daí sua denominação Alikemur, que demonstra autoridade.

A encarnação seguinte ocorreu na cidade de Varanese, na Índia, quando ele foi serviçal da casa onde morava aquela moça que havia sido sua amada na encarnação anterior.

Ela agora pertencia a uma casta superior.

O impedimento para que seu grande amor se concretizasse então, era outro: havia entre eles a barreira social que, na Índia era intransponível.
Alikemur, não resistindo à paixão que ainda sentia por essa mulher que, outrora, também havia sido sua perdição, acabou com a vida, atirando-se no Rio Ganges.
Em consequência desse ato suicida, a encarnação seguinte foi a mais dolorosa de todas, pois ele nasceu completamente deformado, e sua mãe, jovem, sem recursos e sem condições de criar um menino que precisaria de cuidados especiais, abandonou-o no bosque do Loire, na França.
Nessa ocasião, uma dama, de conduta irregular, ao passear em sua carruagem por esse bosque, encontrou a criança, e decidiu levá-la consigo, tornando-se, assim, sua mãe adotiva.
Ao atingir determinada idade, a fim de que tivesse educação mais aprimorada, e também para que pudesse ocultar dos outros suas deformidades, foi encaminhado a um mosteiro, onde fez grande aprendizado espiritual.

Dono de uma belíssima voz, passou a fazer parte do coro do mosteiro.
Faleceu em consequência de tuberculose.
Nessa época já havia ocorrido uma grande purificação em sua caminhada.

Sua última encarnação ocorreu em 04 de dezembro de 1810, numa pequena cidade chamada Jayranbati, distrito de Banfura, Bengala Ocidental.
Nessa encarnação, os pais de Alikemur, muito pobres, eram piedosos Brahmanes (sacerdotes).
Criado com sete irmãos, tomou-os sob seus cuidados, carinhosamente incutindo-lhes profundo conhecimento do caráter humano e ensinando a todos como servir no espírito de completa resignação a Deus.
Homens e mulheres que se aproximavam dele para serem aliviados da extrema tensão de suas almas aflitas, tornaram-se  receptáculos de suas bênçãos e as doces palavras de amor e sabedoria que esse querido Mestre pronunciava, acalmavam as dores pungentes de seus corações para sempre.
Com esse comportamento equilibrado e essa atitude religiosa, voltados para os mais nobres ideais. Alikemur incomodou aos ingleses que dominavam a região e queriam obrigar o povo a seguir as crenças e os costumes da Inglaterra.
Repudiavam a pregação que ele fazia aos que se aproximavam, pois queriam que todos seguissem a religião do País dominador.
Alikemur, brando e pacífico diante dos ataques dos opressores, ensinava a todos que deveriam sempre se voltar para o amor, a compreensão e a caridade.

No entanto, esse movimento de inconformação com as atitudes pacifistas e religiosas de Alikemur foi crescendo e, muitos ingleses, revoltados, infiltraram-se entre aqueles que escutavam suas palavras para observar e agir, no momento que julgassem oportuno, com o intuito de dissolver tais reuniões, mesmo que isso fosse feito por meios indignos.

Um dia, alguns desses ingleses, decidindo acabar de uma vez por todos com essa pregação, incendiaram o local onde se reuniam os fiéis para escutar as palavras sagradas de Alikemur.

Nesse incêndio morreram muitas pessoas.

Na verdade, destruíram a matéria, mas não acabaram com os nobres ideais ali divulgados, sendo certo que suas palavras de amor já estavam implantadas no coração de seus discípulos, que tiveram condições de passar sua mensagem para outras pessoas necessitadas.

Tais palavras floresceram e frutificaram como flores e frutos abençoados na alma de inúmeros adeptos, desde aquela época até os dias de hoje.
Muitos irmãos que, em épocas remotas, conviveram com Mestre Alikemur, também já se encontravam em plano espiritual elevado, e, por essa razão não precisaram  mais reencarnar.
Alguns, no entanto, ainda não haviam resgatado seu carma, motivo pelo qual ainda se encontram encarnados na Terra.
Pela trajetória de sua vida, pela opção de religiosidade feita em suas últimas passagens aqui na Terra, pode-se então compreender a razão das palavras desse Mestre que até hoje dá nome a uma casa espírita:  amor, amor, amor.
Mestre Alikemur, nosso Guia Espiritual, inúmeras vezes alertou que nenhuma pessoa procura esta casa e aqui permanece sem uma razão mais forte, baseada sempre em ligações do passado.
Na verdade, muitos passam e seguem seu caminho, mas os que permanecem na casa são os que têm ligação efetiva e cármica com Mestre Alikemur.

Mestre Alikemur agradece ao Supremo por terminar sua missão em um lugar como o Brasil, que tem o formato de um coração, e que pode ser considerado um país sem preconceitos de raça cor e religião.

Segundo palavras do Mestre Alikemur,
Tudo depende da mente.
Nada pode ser alcançado sem pureza mental.